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terça-feira, 12 de agosto de 2008

ESCOLA DO TEMPO!CAINDO E LEVANTANDO!

ESCOLA DO TEMPO!CAINDO E LEVANTANDO! Não quero fazer apologias ao atraso, muito menos endeusar os tempos passados, apenas quero relembrar, senão tentar imortalizar este tempo que talvez a História tenha arquivado. Trata-se senão da preciosa, mas brilhante década de 90. Éramos inocentes, teimosos, vivíamos nos aventurando no próprio cotidiano, caíamos, levantávamos, chorávamos...Aquelas bicicletas que eram a diversão, quando não aqueles carrinhos de 4 rodas nas descidas, ou mesmo, as escadinhas pelos barrancos. Aprendizes dos mistérios.Felizes... O governo era neoliberal, mas para nós não importava nada, o que importava é que o governo mandava uns cadernos de bordas laranjas, com a estampa de Tiradentes na capa, e o hino nacional no verso do caderno. As meninas possuíam o tal de Caderno de confidências (orkut da época), o sonho dos meninos era ler os mesmos e ficar sabendo de uma porção de coisas conspiradas em linhas numeradas. O vício era de chiclete, ou melhor, pelas figurinhas contidas nestes, tinha da Barbie, Rei Leão, Bichos com nome de gente, mais tarde Chiquititas. Os doces custavam 10 centavos, tinha Maria cachucha, Maria mole, gibi e os copinhos que vinham com um homenzinho de plástico como brinde. No inverno colocávamos leite e açúcar em um copo e deixávamos para gelar nas noites frias de geada, que acreditávamos que caía do céu, mais tarde descobria-se que se formava na terra, com o congelamento do sereno. Ainda nessa época cheirávamos mimosa ou mexerica, como queiram. Não pegávamos nada de estranhos, nem carona. Tínhamos medo de ladrões de criança, maconha, visagens...Mera insegurança em si mesmo, infantilidade. Se falasse palavrão ou “maroteza’, era aquela surra, aí vinha chinelo, couro, cinta...Sabe-se da dor passada, mas graças a isso escapamos da marginalidade, pelos menos até agora. Pode-se dizer graças aos pais somos cidadãos! Joelhos esfolados de tombos oriundos de muita traquinagem, brincava-se de caçador, polícia e ladrão, de mãe, e...tantas cirandas que são sepultadas junto com a cultura nos dias atuais. Nem imaginávamos a internet, celular, uma utopia! Nos conformávamos com as tvs preto e branco, já tinha Philco, Philips e Telefunkem.Os gibis da turma da mônica eram nossa literatura, líamos! Corríamos atras de vaga-lumes, participávamos de novenas, tínhamos medo do fim do mundo! Imaginávamos o céu...Filosofia pura, embora infantil.Uma saga, felicidade? Sim, isso se chamava felicidade! O medo e a imaginação dominavam nossos instintos, nada mais natural, muito natural, mais natural que os games de hoje em dia. Escola era de um cômodo, com duas classes dividindo o mesmo espaço, estudar era sinônimo de esforço, caminhando alguns quilômetros até a escola, quanta coisa se passou. Não tem como não falar das sopas da merenda, inesquecível tempo. Não se esquentava a cabeça, rosas da época tinham menos espinhos, porém mais afiados...talvez! Éramos personagens de um seriado que ainda não chegou ao fim, vida....a vida! Sonhadores éramos, eu vivia mergulhado em minha timidez, mas tarde começaria a mudar, era pequeno e magrelo, o tempo mudou alguns detalhes! Ostracismo, talvez, porém o que lembro guardo em minha mente... Dizem que evoluímos, se dividimos, experimentamos outras sensações e realidades. Sorrimos ...muito! e choramos quando caíamos, entristecíamos, ...choramos quando morreram os Mamonas Assassinas. O tempo passa, continuamos caindo e levantando, chorando e sorrindo, porém agora com o peso de nossas responsabilidades. Para ser realista e filosófico, resumo tudo em : ‘VALEU A PENA, AQUILO FOI O ALICERCE DE HOJE’.Valeu a pena! ANDERSON GIBATHE (ANTENA)

Um comentário:

La anarquia! disse...

BELÍSSIMO TEXTO ANTENA, PARABÉNS! Esse realmente foi um tempo de plena e pura felicidade, somos priveligiados por ter tido uma infância assim, simples, humilde, rural e FELIZ!Perceba que nessa época era tudo mais simples e havia mais encanto, e foi graças a esse universo que fomos criados que nos tornamos as pessoas que somos hoje!